QUINTA RETRÔ: Santos Dumont, mais pesado que o ar

  • 23/09/2021 às 17:19

Percorrer o mundo pelos ares, dentro de um avião, é algo comum atualmente, mas se isso é possível atualmente é por causa de um brasileiro. Em meados de 1900 voar ou planar no ar de forma guiada parecia algo surreal e contra as probabilidades, Alberto Santos Dumont mostrou ao mundo sua genialidade se tornando o primeiro homem a navegar no ar. Por isso no Quinta Retrô de hoje, iremos te contar a trajetória do inventor do avião!

Nascido em Minas Gerais, mais especificamente na Fazenda Cabangu, na cidade de João Gomes, em 20 de julho de 1873 Alberto Santos Dumont viria a batizar a cidade onde nasceu. Filho de Henrique Dumont, engenheiro e plantador de café em São Paulo, e de Francisca Santos Dumont. Dentre os irmãos, era o mais novo entre os homens, tendo, no total, sete irmãos.

Dumont aprendeu a ler com a sua irmã Virgínia e frequentou o Colégio Culto à Ciência, o Instituto dos Irmãos Kopke e o Colégio Morethzon. Os livros de Julio Verne fizeram parte de sua vida e impulsionaram ainda mais um sonho que Dumont tinha em si, criar um aparelho que permitisse o homem voar para onde desejar.

No ano de 1891 visitou a França com a sua família e foi quando ficou fascinado pelo motor a gasolina, sensação das exposições na época. Um ano mais tarde seu pai adoeceu e adiantou a herança para seus filhos, Dumont então mudou-se para a França.

Em Paris teve a oportunidade de construir seus próprios balões, na capital francesa também conheceu alguns baloeiros, como Albert Chapin, que viria a se tornar o mecânico de suas invenções. Lá, Dumont aprofundou seus estudos, principalmente em mecânica e no motor de combustão.

O primeiro voo

Ainda na capital francesa, no ano de 1898, Dumont construiu seu primeiro balão. Com formato cilíndrico e inflado a hidrogênio, chamado de “Brasil”. No dia 4 de julho, o balão de 15kg subiu aos céus, porém preso a uma corda, dependia do vento para locomover-se.

O seu segundo balão participou de uma competição no Aeroclube da França. O “Amérique” venceu a disputa, que tinha mais de 11 participantes, permanecendo 23 horas no ar. Contudo o que realmente interessava Dumont era controlar o seu percurso no ar, então ele continuou pesquisando.

Balões dirigíveis

Em 1898, Santos Dumont iniciou a criação de balões motorizados. O balão n.º 1, no dia 20 de setembro, ganhou altura, sob o comando do inventor, atingiu 400m de altura, ainda preso a uma corda, retornou com segurança ao seu ponto de partida.

O balão n.º 2 foi testado no dia 11 de maio de 1999, Dumont realizou manobras simples, porém devido a uma chuva forte o balão ficou pesado e acabou preso em uma árvore. O balão n.º 3 contou com um novo item, buscando solucionar o problema da dirigibilidade, Dumont instalou um motor a gasolina no balão.

Com o balão n.º 4, Dumont realizou diversos voos e executou manobras, porém não obtinha controle por completo do balão. A evolução seguiu com o balão n.º 5, porém este quase lhe custou a vida.

O desafio que Dumont buscava vencer consistia em alcançar a Torre Eiffel, contorná-la e retornar ao ponto de partida dentro de 30 minutos. Obstinado a ser o primeiro homem a navegar pelo ar, Dumont partiu e, auxiliado pelo vento, percorreu os 6 quilômetros até a Torre Eiffel em 9 minutos, contornou-a e, no percurso de volta, surgiram os problemas. Sem motivos aparentes, o balão começou a murchar com a perda de hidrogênio, que consequentemente afrouxou um dos cabos de sustentação que veio a ser destruído pela hélice do dirigível. Então, a 200 metros de altura, Santos Dumont desligou o motor e encolheu-se, de forma a se preparar para a queda. O vento empurrou o balão para trás, o colocando em rota de colisão com a Torre Eiffel.

Nesse percurso indesejado, sem controle algum, o balão se chocou com a quina de um telhado, explodindo como um grande saco de papel. Amarrado ao cesto, Dumont aguardava ajuda enquanto a quilha (base do balão) presa aos restos do dirigível, pendia em um ângulo de 45 graus. Antes que a os cabos ou a quilha rompessem e fizessem com que Dumont despencasse de uma altura de 15 metros, uma corda lhe foi lançada pelos bombeiros para socorrê-lo e livrá-lo do perigo.

Após ser saudado por sua coragem, averiguou o estado dos restos do balão e constatou que o motor seguia intacto. Então pagou pelo conserto dos telhados que havia degradado e imediatamente partiu para construir outro dirigível com o objetivo de tornar-se o primeiro homem a controlar um dirigível.

Dirigível n.º 6

Dumont criou o balão com seis metros de comprimento, 33 metros de diâmetro e equipado com um motor de 16 HP, e no dia 19 de abril de 1901, com o balão n.º 6, as 14 horas e 42 minutos, Santos Dumont partiu para percorrer os 11 quilômetros.

A 300 metros de altura e com uma velocidade média de 22 quilômetros por hora, o dirigível cumpriu a missão com perfeição, contornando a Torre Eiffel e pousando no local de sua partida com o tempo de 29 minutos e 30 segundos. Mais de 30 mil pessoas testemunharam o feito de Dumont, entre elas estavam membros da comissão do Aeroclube.

Juntamente do reconhecimento e da realização de um sonho, ao se tornar o primeiro homem a navegar no ar, Dumont recebeu o prêmio do Aeroclube, 100 mil francos (equivalente a mais de meio milhão em reais).  Santos doou parte da recompensa a sua equipe e destinou outra parte para a caridade.

Tour aéreo

Santos Dumont ainda construiu o balão n.º 7, projetado para corrida nunca chegou a competir por não haver concorrentes. O balão n. 8 foi uma réplica do balão n.º 6, uma encomenda de um estadunidense, realizando apenas um voo.

Com o balão n.º 9, Dumont passou a transportar pessoas nos voos que realizava, em um deles insistiu para que a cubana Aída de Costa fosse sua passageira, tornando-se a primeira mulher a no mundo a voar. O balão n.º 10 foi o maior de todos, apelidado por Dumont como “dirigível ônibus”. Na França, Santos Dumont ficou conhecido como “Le Petit Santos”.

Primeiro Avião da história

Em 1906, Dumont competiu em outras duas apostas, promovidas por filantropos, que premiariam quem conseguisse decolar, sem o auxílio do vento, e percorrer ao menos 100 metros sem acidentes. A “aeronave mais pesada que o ar” deveria pousar em um terreno plano, sem auxílio do vento para planar e sem dispositivos externos.

Às 16 horas e 45 minutos, do dia 12 de novembro de 1906, Santos Dumont decolou do Parque da Begatelle, com o 14 Bis. Com um motor de 50 cavalos e 6 metros de altura, o avião voou por 200 metros e, para aterrizar Dumont desligou o motor e guiou o 14 Bis até pousá-lo com algumas avarias na asa dianteira.

Demoiselle

 

Um ano mais tarde, Santos Dumont construiu o “demoiselle”, que viria a servir de modelo a todos os projetistas futuros. A obra toda foi feita por Dumont, do desenho ao motor. Com o objetivo de fabricá-lo em larga escala, o Demoiselle foi um dos menores e mais baratos aviões da época.

Em 1910, cerca de 19 anos após sua primeira visita à França, onde se encantou com os motores a gasolina, era a sua vez de, na primeira exposição da Aeronáutica, encantar os visitantes com o Demoiselle.

No mesmo ano, Dumont encerrou sua carreira, passando a supervisionar indústrias que surgiram na Europa. Ao adoecer, Santos voltou para o Brasil.

Do Brasil, Dumont escreveu livros e viveu seus últimos anos, esses que não foram fáceis para o inventor. Ver seus inventos serem utilizados para bombardear cidades durante a primeira guerra e o aeroplano ser usado para fins militares geraram grande desgosto em Dumont.

Com esclerose múltipla e depressão, no dia 23 de julho de 1932, com 52 anos, Santos Dumont suicidou-se. Em 31 de julho de 1932, a cidade de Palmira teve seu nome mudado para Santos-Dumont. Em 22 de setembro de 1959 foi concedido ao pioneiro da aviação o posto honorífico de Marechal-do-Ar e o nome de Alberto Santos Dumont continuou a encabeçar a lista de oficiais-aviadores, no Almanaque do Ministério da Aeronáutica.

A casa onde viveu no Rio de Janeiro hoje é um museu que conta com diversos objetos, livros e mobílias. A escada foi feita para entrar na casa com o pé direito devido a superstição do inventor.

O amor de Dumont pelos motores e pelo céu o fez dedicar-se e, apesar das dificuldades, realizar seus sonhos. Se você também tem a paixão por voar ou sabe tudo sobre motores o curso de Ciências Aeronáuticas é para você! Com simuladores e professores qualificados, você pode atuar como piloto ou nas mais diversas áreas da aviação.

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