Quinta Retrô: Queen Bess, acima do preconceito

  • 06/01/2022 às 16:21

Assim como em todo Quinta Retrô a gente vai viajar no tempo, vamos voltar inicialmente para o ano de 1892 na zona rural de Atlanta, uma pequena cidade de Texas. A data em específico é dia 26 de janeiro, dia do nascimento de nossa protagonista, Elizabeth Coleman. Filha de trabalhadores rurais era a décima dentre os 13 filhos do casal.

Assim como em todo Quinta Retrô a gente vai viajar no tempo, vamos voltar inicialmente para o ano de 1892 na zona rural de Atlanta, uma pequena cidade de Texas. A data em específico é dia 26 de janeiro, dia do nascimento de nossa protagonista, Elizabeth Coleman. Filha de trabalhadores rurais era a décima dentre os 13 filhos do casal.

Conforme a tradição na região, Bessie, como era chamada Elizabeth Coleman, trabalhou nas fazendas colhendo algodão desde muito cedo. Porém sua coragem e resiliência foram herdadas de sua mãe que, apesar da pobreza, não abria mão de que seus filhos fossem a escola. Bessie então caminhava seis quilômetros, diariamente, para chegar a uma pequena escola que tinha apenas uma sala.

Os estudos e o trabalho na fazenda não eram as únicas obrigações de Bessie, auxiliar sua mãe com as tarefas domésticas também preenchiam sua rotina. A situação da família piorou quando seu pai foi embora quando Bessie tinha nove anos.

O salto no tempo agora nos leva até 1915, quando aos seus 23 anos Bessie decidiu seguir o caminho de dois de seus irmãos e buscar uma vida melhor em Chicago. Lá conseguiu um emprego – que viria a mudar sua vida – como manicure em uma barbearia. Alguns dos clientes da barbearia eram pilotos da recém formada Força Aérea, que contavam diversas histórias – as conversas costumam fluir bastante nas barbearias – acontece que essas histórias conquistaram Bessie, ali ela decidiu que se tornaria pilota.

Se no século XXI ainda enfrentamos e presenciamos situações de preconceito, imagine como era em meados de 1900. Pois bem, nenhuma escola de aviação aceitaria uma mulher ou então um negro. Uma mulher negra então? Nem pensar. Bom... já vimos que Bessie herdou coragem e resiliência de sua mãe, não é?

Se as escolas não a aceitavam ela tentou contato com alguns pilotos negros – existiam alguns na época que foram treinados para a guerra – porém não surtiu efeito. Uma mulher pilotando um avião não soava bem.

Se não permitem que você voe aqui, vá para o exterior! Semelhante a esse foi o discurso de Robert Abbott, fundador do Chicado Defender – um jornal feito por negros e para os negros, seu slogan era “O preconceito racial americano precisa ser destruído” – e assim Bessie o fez.

Na França já existem mulheres aviadoras, esse era o destino de Bessie. Com o apoio de Abbott e de Jesse Binga – esse que é outro pioneiro: o primeiro banqueiro negro dos Estados Unidos – ela se preparou, fazendo um curso de francês e em novembro de 1920 partiu para a Europa.

É sabido que os aviões da época não eram nem de perto os que são tão comuns no dia de hoje, mas o fato é que em julho de 1921 Bessie recebia sua licença. Além de realizar o seu sonho, Bessie se tornava a primeira mulher negra a se tornar pilota e o fazia recebendo uma licença da Federação Aeronáutica Internacional.

Passou mais um tempo na França lapidando suas técnicas e posteriormente voltou para os Estados Unidos. Lá foi aclamada pela imprensa, tornando-se uma celebridade, porém o mercado para pilotos não era grande na época. Fazendo com que, apesar da fama, Bessie tivesse de voltar a Europa para ser treinada e estar preparada para fazer shows aéreos.

Após a passagem pela Europa, voltou à América e logo começou a fazer os airshows. Sua popularidade cresceu ainda mais e ficou conhecida como “Queen Bess”, conquistando a admiração de milhares de pessoas. Durante sua carreira de airshow, Bessie sofreu um acidente onde quebrou uma perna, mas não tardou a voltar aos ares.

Seu sonho era montar uma escola de aviação para negros, sonho esse que pareceu muito próximo ao ser convidada ao estrelar um filme – afinal ela alavancaria seus shows e arrecadaria dinheiro para abrir sua escola. O fato é que ela recusou o papel ao descobrir que a primeira cena se tratava de uma construção de um estereótipo negativo do povo negro.

Infelizmente Bess não viveu para realizar o sonho de abrir uma escola de aviação para negros, em um voo teste antes de um de seus shows ela sofreu um acidente e não sobreviveu. Posteriormente foi descoberto de uma chave inglesa havia deslizado e ficado presa na transmissão, empurrando-a.

A vida de Bessie e a coragem que ela demonstrou a cada escolha a tornaram um exemplo a ser seguido, porque ela voou acima do preconceito!

E aí, você acha que a aeronáutica é para você?

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