QUINTA RETRÔ: Marie Curie, da Polônia ao polônio

  • 11/03/2021 às 17:49

No mês do Dia Internacional da Mulher, o Quinta Retrô está trazendo especialmente grandes mulheres da História. Infelizmente, destacar-se na profissão para elas envolve enfrentar problemas que vão muito além dos livros. Um exemplo disso é Maria Sklodowska, para muitos a mulher mais importante do século XX. Não reconheceu? Talvez você a conheça pelo nome de Marie Curie 🧪.

A cientista, química, física e empreendedora nasceu na cidade de Varsóvia, na Polônia, em 7 de novembro de 1867. Naquela época, a região fazia parte do Império Russo, vivendo em constante conflito por independência. Maria era filha de Bronislawa e Wladyslaw Sklodowski, dois professores e militantes pró-independência da Polônia. A posição política do casal trouxe uma infância conturbada para Maria e seus cinco irmãos, que sofriam constantes represálias do Governo. A família chegou a perder as propriedades, bens e dinheiro, tudo confiscado pelo Império Russo 🔒.

Em 1878, a mãe Bronislawa morreu de tuberculose; no mesmo ano, a irmã de Maria, Zofia, faleceu vítima do tifo. Foi ali que a futura cientista enfrentou a depressão pela primeira vez, que a acompanharia por toda a vida. Por serem mulheres, Maria e suas irmãs não podiam ingressar no Ensino Superior público 🙄.

Maria trabalhou como governanta durante anos e, em 1891, mudou-se para Paris para iniciar a faculdade de Física. Nos últimos anos na Varsóvia, ela deu seus primeiros passos dentro de um laboratório, onde trabalhou por alguns meses. Mal sabia que um lugar semelhante àquele seria seu lar no futuro.

Foi na Cidade Luz que passou a ser chamada de Marie, alcunha que ela adotou para a vida. Os dois anos estudando na Universidade de Paris foram alguns dos mais difíceis de sua vida. Morou de favor com a irmã até conseguir se mudar para o sótão de um prédio antigo, não tinha dinheiro para comprar casacos (e escapava do frio utilizando dezenas de roupas, uma por cima da outra) e nem para comida. Muitas vezes, o estudo era tão aficionado que ela até esquecia de comer 🥵.

Em 1893, iniciou a carreira científica, pesquisando sobre as aplicações do magnetismo 🧲. No mesmo ano, formou-se em Física. Foi nesse período que ela conheceu seu futuro marido, Pierre Curie. Eles se aproximaram quando Marie ficou sem laboratório para trabalhar, e passou a dividir o espaço de Pierre. O maior casal da ciência moderna casou-se em 26 de julho de 1895, com a promessa de Pierre de que se Marie quisesse voltar para a Polônia, ele largaria tudo para ir com ela 🥰. Esse era o tanto que a cientista era apaixonada por sua terra-natal.

Curiosidade sobre o casamento: Marie disse o “sim” trajando o mesmo vestido que ela usava todos os dias em seu laboratório. Muito workaholic 😅.

Ao lado do marido, amigo e companheiro de trabalho, ela começou a pesquisa que a tornaria um monumento da ciência. Em 1895, Willhelm Roentgen descobre o processo de radiografia, o Raio X, mas sem saber como ele funcionava. Curiosa, Marie aproximou-se da atividade para estudá-la mais a fundo. Ela realizou uma série de experimentos com o urânio, o único elemento descoberto à época que funcionava para o raio X.

O grande trunfo de Marie foi utilizar medidores elétricos, que ela operava quando pesquisava o magnetismo, no urânio. Com isso, identificou como aquela rocha brilhante emitia um estranho campo magnético, alterando o espectro elétrico do ambiente ao seu redor 🤔. Não poderia ser uma reação entre moléculas, já que partia do elemento isolado - algo que chocou a comunidade acadêmica do final do século XIX, que ainda acreditava no átomo como algo indivisível.

Patrocinada por uma mineradora, Marie Curie iniciou uma epopeia para descobrir outras substâncias que emitissem a mesma energia que o urânio. Encontrou em dois minerais complexos, a rechblenda e a tobernita. No entanto, o campo era ainda mais forte, indicando que ali havia algo mais poderoso. Com a possibilidade de descobrir um novo elemento químico, Marie e Pierre passaram os próximos oito anos moendo e pilando toneladas de minerais (!), tentando isolar o componente da liga que causava essa emissão de energia 😱. Foi assim que conseguiu, em 1903, provar a existência de não só um novo elemento, mas dois: o rádio e o polônio, nomeado em homenagem à pátria amada.

Esse fenômeno, a emissão de energia em formato de onda quando o átomo está em condição ambiente, foi classificado como radioatividade - nome cunhado por Marie Curie ☢. Por essa descoberta, recebeu seu primeiro Prêmio Nobel, em Física, ao lado do marido Pierre Curie e do químico Henri Becquerel, que havia iniciado a pesquisa 🏆.

No entanto, conforme a importância de Marie Curie para a ciência crescia, mais xenofobia e machismo ela sofria. Inclusive, o Nobel de 1903 seria entregue inicialmente apenas para Pierre e Becquerel, com a exclusão de Marie se dando exclusivamente por ela ser mulher. Após protestos do trio e de parte da comunidade acadêmica, o nome dela foi incluído na nomeação. O casal Curie foi convidado a discursar no prestigiado Royal Institute, em Londres, mas apenas Pierre foi autorizado a falar publicamente na ocasião.

Em 1906, a Universidade de Paris ofereceu uma vaga de professor para Pierre Curie, ignorando Marie, a grande mente da pesquisa sobre a radioatividade. Meses após o convite, o marido morreu em um trágico atropelamento e, só por isso, Marie foi convidada para lecionar na instituição onde fez toda a sua vida acadêmica.

A morte de Pierre fez de Marie uma mulher solitária, mas ela nunca deixou de estudar e produzir ciência. Em 1910, chocou o mundo mais uma vez ao conseguir isolar o átomo do rádio, que agora era capaz de ser desenvolvido separadamente dos demais minerais. A descoberta lhe rendeu um segundo Nobel, dessa vez em Química, e uma promissora indústria em torno do elemento e a energia que ele produzia 🏆🏆. O polônio, sua outra descoberta, possui uma natureza mais volátil e Marie nunca conseguiu isolá-lo.

O Instituto do Rádio, sua empresa, foi crucial durante a Primeira Guerra Mundial. Marie Curie criou os primeiros aparelhos de radiografia móveis, largamente utilizados no fronte de batalha e depois espalhados nos hospitais pelo mundo. Em paralelo a isso, cuidava das filhas Irène e Eve, incentivando-as a estudar sempre. Irène Curie, inclusive, seguiu os passos da mãe, e ganhou um Prêmio Nobel em Química anos depois. Isso tornou a família Curie a mais prolífica em termos de Nobel ganhos da História 😎.

Marie Sklodowska-Curie, como ela gostava de ser chamada, morreu no dia 4 de julho de 1934, na França, vítima de uma anemia aplástica. A doença foi consequência da sua exposição frequente, durante anos, à radiação. Na época, não se sabia os males que essa energia provocava no organismo. A cientista desenvolveu ainda catarata e outros problemas de saúde, todos por causa da radioatividade. Marie guardava pedaços de rádio nos bolsos do jaleco e na gaveta de casa, além de dormir todas as noites olhando para o brilho hipnótico do mineral 😬.

Em 1995, tornou-se a primeira mulher a ser inserida no Panteão de Paris, um instituto que reconhece grandes figuras da história francesa, por méritos próprios. Ela foi enterrada ao lado do amor de sua vida, Pierre, e é considerada uma das maiores cientistas da História 👏.

▶ E fica a dica do Uniftec para quem quer conhecer mais sobre a história dela: o filme Radioativa 😉

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

Marie quebrou barreiras na ciência e na sociedade, pavimentando um caminho que seria trilhado por muitas outras depois dela. Um sacrifício, literalmente. Suas conquistas envolveram muito estudo e comprometimento, com uma verdadeira devoção para o novo, o diferente e o futuro. Você também quer mudar paradigmas? Quer revolucionar o mundo ao seu redor?

O Grupo Uniftec oferece o curso de Engenharia Química, na modalidade Presencial. Nele, o aluno aprende a manipular elementos químicos, utensílios e substâncias. Ficou interessado? Clica no botão abaixo para inscrever-se no vestibular!

Compartilhe com alguém

Código de barras copiado