QUINTA RETRÔ: Hortência, Janeth, "Magic" Paula e o Mundial de 94

  • 25/03/2021 às 17:39

Durante todo o mês de março, o Quinta Retrô resgatou a história de mulheres que foram destaque em sua área. Para fechar esse mês especial, não vamos falar de apenas uma, mas 12 mulheres que ficaram marcadas na história do esporte nacional: a Seleção Brasileira de Basquete Feminino de 1994, campeãs mundiais de forma inédita naquele ano. O destaque, claro, vai para Hortência, “Magic” Paula e Janeth - respectivamente, o coração, o cérebro e o pulmão daquela Seleção 🏀.

No país do futebol, o basquete não é lá uma paixão nacional. Investimento, patrocinadores e atenção da mídia normalmente são destinados para os gramados, muitas vezes em detrimento de outras modalidades. Se para o basquete masculino a situação não é fácil, imagine para o feminino e na década de 1990 😒. Todos esses fatores, somados à falta de tradição no esporte e descrença dos críticos, fizeram daquele Mundial um desafio pessoal para a Seleção Feminina. Era vencer para convencer 😡.

Em junho de 1994, elas desembarcaram em Sydney, na Austrália, para o campeonato de suas vidas. O time vinha de um bom retrospecto recente: ganharam a medalha de ouro no Pan-Americano de 1991, vencendo a forte Cuba na final. Mas a percepção da mídia era de que “na América Latina era mais fácil”; o verdadeiro desafio estava na hora de encarar as maiores equipes do mundo 😬. No dia 2 de junho, as brasileiras entravam em quadra pela primeira vez no Mundial. Foi entre as quatro linhas que o time cresceu, principalmente Hortência, Paula e Janeth.

A ala Hortência Marcari era uma cestinha nata, faminta por pontos. O arremesso mortal, de média e longa distância, a tornou a maior pontuadora da história da Seleção 🎯. Em 1994, sua média foi de 27,6 pontos por jogo - para você entender o tamanho disso, o mito do basquete Michael Jordan anotou 30,1 pontos de média em sua carreira, apenas três a mais que a Rainha 😮. Hortência era a garra, o coração e a coragem que a Seleção precisava naquele momento para calar os críticos.

A armadora Paula Gonçalves sempre se destacou no basquete paulista pela inteligência e visão de jogo. Seus passes pareciam teleguiados 🚀. Por isso, recebeu o apelido em homenagem à lenda da NBA Magic Johnson. “Magic” Paula chegou no Mundial de 94 para ser a parceira de Hortência e elevar a média de pontos do time. Afinal, além dos passes certeiros, a camisa 8 era imbatível na infiltração de garrafão.

De Hortência e “Magic” Paula, os fãs já esperavam um desempenho no mínimo razoável durante o campeonato. Mas quem desequilibrou e fechou o power trio da Seleção Brasileira foi a ala Janeth Arcain. Fria e calculista no ataque e na defesa, Janeth simplesmente não errava 🥶. Ela foi peça fundamental para frear o ímpeto dos adversários e produzir debaixo do garrafão: em 1994, sua média de pontos foi de 23,3 por jogo. Não à toa foi contratada pelo Houston Comets, da WNBA, logo após o fim do Mundial.

Na Austrália, com esse trio se juntaram Alessandra, Cíntia Tuiú, Leila Sobral, Roseli, Dalila, Helen, Adriana, Simone e Ruth, para formar o esquadrão verde-e-amarelo 💚💛. No entanto, a campanha durante o campeonato não foi nem um pouco fácil. Na 1ª fase, as brasileiras venceram Taiwan (112 a 83) e perderam para a Eslováquia (99 a 88); precisavam vencer a Polônia para avançar na competição. Conseguiram, por 87 a 77. Na 2ª fase, o mesmo drama: vitória sobre as rivais cubanas (111 a 91) e derrota para a poderosa China (97 a 90), uma das favoritas a ser campeã. Mais uma vez, o jogo final determinava a continuidade no Mundial. Por microscópicos cinco pontos de diferença, bateram a Espanha (92 a 87) e se classificaram para a semifinal. O jogo foi transmitido pela TV aberta, algo inédito para o basquete feminino no país 📺.

Quando o chaveamento determinou que o Brasil enfrentaria os EUA na semifinal, o sonho parecia ter chegado ao fim. Qual era a chance das brasileiras vencerem? 😓 As americanas já haviam sido campeãs mundiais cinco vezes, e só haviam dividido o título com a União Soviética desde o início do Mundial, em 1953. Era uma rivalidade histórica, da qual o Brasil não parecia fazer parte. Mas nessa festa, a gente entrou de penetra. Em um jogo emocionante do começo ao fim, Hortência, “Magic” Paula, Janeth e companheiras bateram as favoritas por 110 a 107 e estavam na final do Mundial de Basquete Feminino de 1994 😎.

Na decisão, tinham a China novamente pela frente. O time estava mais leve após derrotarem os EUA, é verdade, mas as asiáticas representavam um adversário tão perigoso quanto. Do outro lado da quadra tinha, por exemplo, a pivô Zheng Haixia, grandalhona de 2,04m que vinha empilhando pontos no campeonato 👽. Mas tamanho não é documento, né? O Brasil venceu a China por 96 a 87 e consagrou-se campeão mundial pela primeira e única vez em sua história 🏆.

O feito daquelas meninas não tinha precedentes. Elas saíram do Brasil desacreditadas, mas voltaram nos braços da população, que acompanhou aquele Mundial como se fosse uma Copa do Mundo de Futebol. Em junho de 1994, o Brasil foi o país do basquete feminino 😘.

▶ E fica a dica do Uniftec para quem quer conhecer mais sobre essa conquista: o jogo completo contra os EUA 😉

- - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - - -

A Seleção Brasileira de Basquete Feminino de 1994 mostra o poder do esforço. Hortência, Janeth, "Magic" Paula e as demais atletas do time treinaram arduamente para conseguir o título, com comprometimento total com o condicionamento físico. Sem esse foco na missão, com certeza elas não teriam atingido um novo patamar no esporte feminino.

Quer saber mais sobre a importância do corpo e mente estarem alinhados? O Grupo Uniftec oferece o curso de Educação Física, que prepara o aluno sobre os esporte e sobre a filosofia por trás do cuidado do corpo. Ficou interessado? Clique no botão abaixo para se inscrever no vestibular:

Compartilhe com alguém

Código de barras copiado