QUINTA RETRÔ: Edward Jenner e a origem da vacina

  • 29/04/2021 às 15:54

Hoje em dia, a medicina é reconhecida por sua eficácia. Doenças que antes eram mortais, hoje são enfermidades curáveis e com taxa de mortalidade quase nula. Peste bubônica, hanseníase, sarampo e varíola são alguns exemplos de doenças que foram contidas com o avanço da medicina. O covid-19 parece seguir por esse caminho também - e o uso da vacina é o que possibilitou o tratamento desse e de outros males.

Mas nem sempre a medicina foi uma ciência higiênica. No seu passado, os tratamentos eram muito mais experimentais e desenvolvidos com testes hoje considerados grotescos. A invenção da vacina pelo médico britânico Edward Jenner é um exemplo desse processo. O Quinta Retrô de hoje é sobre um homem que queria salvar o mundo - custe o que custar.

A infância de Edward

Edward Jenner nasceu em 17 de maio de 1749, na cidade de Berkeley, na Inglaterra. Ele é o oitavo filho de uma família de nove irmãos, todos criados por pais anglicanos em um lar rígido. O estudo e o trabalho sempre foram obrigação para os irmãos Jenner. Até por isso, o pequeno Edward conseguiu seu primeiro emprego aos 13 anos - como assistente de um cirurgião.

Importante: cirurgias no século XVIII eram muito mais semelhantes com filmes de terror do que com o que são hoje em dia. Os processos eram invasivos, sangrentos e, o mais chocante, feitos sem o uso de anestesia. As técnicas só foram incorporar higiene, esterilização e outros cuidados durante o século XX. Foi trabalhando nesse cenário que Edward encantou-se pela medicina.

Ele mudou-se para Londres, onde formou-se médico pela maior Universidade britânica. Após a formatura, retornou para Berkeley, iniciando pesquisas em áreas diversas, como fossilização, anatomia e horticultura. Ao unir o conhecimento médico e a vida rural, Jenner se aproximou daquilo que o faria reconhecido mundialmente.

A varíola

Os primeiros relatos da varíola datam ainda da Antiguidade. Acredita-se ser da doença uma epidemia ocorrida em Atenas no ano 430 a.C., evento que matou cerca de 40% da população local. A enfermidade é reconhecida pelas feridas (erupções cutâneas) que surgem na pele dos infectados - semelhante à catapora ou varicela. Uma particularidade da varíola é de que os infectados que conseguem curar-se se tornam imunes ao vírus. Não existe reinfecção.

Em 1789, a varíola ainda matava cerca de 400 mil pessoas por ano, sem existir qualquer tipo de cura ou tratamento. Nesse ano, em Berkeley, o médico Edward Jenner observou que algumas vacas possuíam pústulas semelhantes às da varíola, e aquilo o intrigou. Havia um conhecimento popular na época de que as pessoas que lidavam com o gado, por algum motivo, não contraíam a doença. Não existia nenhuma relação clara entre as duas informações, até então. Jenner resolveu investigar.

O experimento

Intrigado com a semelhança entre as feridas do gado e as dos humanos, o britânico desenvolveu uma forma de testar essa relação. Sua intenção era usar o princípio da não-reinfecção para desenvolver um imunizante à doença. Até para os médicos da época, Edward havia ido longe demais em seu experimento.

Com uma seringa, ele extraiu o pus que saía das pústulas bovinas e o injetou em James Phipps, uma criança de 8 anos que serviu de cobaia para o experimento. James desenvolveu sintomas leves, como febre e algumas erupções na pele, mas logo curou-se. Foi como se ele tivesse desenvolvido uma versão “mais leve” da mesma enfermidade.

Na etapa final do experimento, Edward Jenner extraiu o pus de um paciente humano infectado com a varíola e o injetou em James. A criança não apresentou nenhum tipo de sintoma - estava imune à doença. Esse evento é catalogado na história da medicina como a primeira experiência de imunização, processo utilizado por diversas vacinas até hoje. Trata-se de expor o corpo humano a uma amostra reduzida e incólume do agente causador, para que o organismo produza anticorpos. Dessa forma, quando ele se deparar com a doença em si, já estará imune.

“Insuficiente” e “repulsivo”

Em 1797, Edward Jenner apresentou os resultados de sua pesquisa ao Royal Institute, a maior organização científica da Inglaterra. A instituição considerou as provas “insuficientes” para comprovar a invenção de um imunizante à varíola. Sob críticas da comunidade científica, Jenner repetiu o processo com diversas outras pessoas, adultos e crianças, para provar a sua eficácia. Foi chamado de cruel e repulsivo por seus colegas de profissão, por infectar pessoas propositalmente, mas seguiu firme no propósito de criar uma cura.

Quando ele reapresentou os dados, agora com mais pacientes imunes, o Royal Institute percebeu a gigantesca relevância do que o médico britânico havia feito. Aceitou a pesquisa e a publicou, fixando Edward Jenner na história mundial como o inventor da vacina e um dos homens que mais contribuiu para o avanço da medicina. Nos anos seguintes, continuou pesquisando sobre o tema e desenvolvendo novos formatos para a imunização.

Edward Jenner morreu em 26 de janeiro de 1823, vítima de um AVC. Ele tornou-se um exemplo histórico de como a medicina trilhou um caminho tortuoso para ser o que é hoje.

Hoje em dia

A vacinação é um assunto muito discutido atualmente. A pandemia do covid-19 trouxe o tema de volta às rodas de conversa, principalmente por causa da vacinação em andamento.

O processo de “infectar” um paciente com uma pequena dose do agente patógeno, para que o corpo produza anticorpos contra a doença real, é alvo de críticas até hoje - mesmo que já tenha sido comprovado séculos atrás que se trata de uma técnica eficaz e inofensiva para o corpo.

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O experimento de Edward Jenner inaugurou o princípio da imunização, mas a vacinação em larga escala só foi possível décadas depois. Essa segunda etapa aconteceu graças ao trabalho de outros profissionais, como o engenheiro químico, que garante a produção, envasamento, armazenamento e transporte de grandes lotes de vacinas ao redor do mundo, sem comprometer a sua qualidade. Uma enorme responsabilidade, não é?

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