QUINTA-RETRÔ: Bob Bowman, a mente por trás do fenômeno

  • 29/07/2021 às 10:37

Com a realização da Olímpiada de Tóquio as lembranças dos grandes nomes da competição voltam à tona. É praticamente impossível falar de olímpiadas e não lembrar do nome Michael Phelps, o nadador americano possui o maior número de medalhas da história dos jogos olímpicos. Mas você sabe quem foi a mente e os olhos por trás do atleta mais bem-sucedido da história das olímpiadas?

Bob Bowman nasceu em 06 de abril de 1965 em Columbia, na Carolina do Sul. Apaixonado pelas piscinas, Bob se tornou nadador profissional, porém não possuía o talento natural para ser campeão. Segundo ele mesmo, tinha desde cedo o espírito de treinador: “Sempre achei que pensava em minha forma de nadar como um técnico, porque estava sempre analisando as coisas, tentando ver o que os melhores faziam – isso provavelmente me prejudicou como nadador, inclusive”.

Seguindo o seu amor pelo esporte, tornou-se treinador e nessa função foi onde atingiu as maiores conquistas de sua carreira. Em 1986, tornou-se treinador no Area Tallahassee Aquatic Club e serviu como treinador assistente na Florida State University. Bowman passou por diversas equipes até 1992, quando se tornou treinador principal e diretor do programa da Birmingham Swim League (BSL), onde permaneceu até 1994. Na época, foi responsável pelo design do programa, desenvolvimento de equipe e operação diária de um clube de 250 membros. Sob sua supervisão, o BSL tornou-se um dos cinco melhores programas do Alabama.

Em 1996 chegou ao North Baltimore Aquatic Club (NBAC), onde ajudou a produzir três campeões nacionais individuais, dez finalistas nacionais e cinco membros de equipe nacional dos Estados Unidos. E foi na NBAC que conheceu o Michael Phelps.

A história de Bowman e Phelps teve início quando o multicampeão ainda era uma criança, o treinador reconheceu o talento natural e a genética para a natação do menino de 7 anos. Torso comprido, mãos grandes e as pernas um tanto curtas chamaram a atenção de Bob, porém junto da aptidão física, Phelps possuía um comportamento ansioso e emotivo.

Sabendo dos desafios que iria encontrar, Bob investiu na criação de hábitos esportivos para voltar o temperamento forte de Phelps para a competição. O talento natural de Phelps precisava ser lapidado, porém outros quatro fatores são tão importantes quanto o talento.

“Os fatores físicos predispuseram Michael a ser um bom nadador, lógico. Porém o que fez com que ele se tornasse o nadador que é hoje foram quatro fatores: sua constituição mental, o apoio da família, o treinamento e a chama competitiva.” Afirma Bob.

A construção de um mental forte foi trabalhada desde o primeiro contato com o atleta, ainda na adolescência fez o jovem escrever em uma folha de papel o seu maior sonho e deixar esta folha em um local onde pudesse ver todos os dias, hábito que Phelps manteve por toda sua carreira. A primeira vez que escreveu seu maior objetivo, aos 12 anos, listou que almejava “ganhar um ouro olímpico”, mas achou seu sonho muito ambicioso e trocou por “disputar uma Olímpiada”. 

Ainda visando que o atleta fortalecesse seu mental, canalizando seu temperamento, após cada treino Bob aconselhava o jovem a repassar em sua mente tudo que foi trabalhado para executar a prova de natação com perfeição, braçada a braçada. O mentor de Phelps se referia ao momento como um filme e dizia: “coloque a fita de vídeo”.

A “fita” fez com que a chama competitiva de Phelps fosse trabalhada, pois o cérebro é incapaz de diferenciar experiencias mentalmente vividas de experiencias reais. Ou seja, Michael estava ganhando vivência de competição a cada treino.

Bob era um grande estudioso de psicologia no esporte e impôs a Phelps pequenos desafios diários, para que seu pupilo colecionasse conquistas ao longo do dia. Assim, alimentando seu espírito competitivo e tornando o ato de subir ao pódio a concretização de uma série de vitórias.

O treinamento de Bob também fugia do padrão, os atletas treinavam em situações adversas, para que saibam reagir em caso de dificuldades durante uma competição. Treinamento que surtiu efeito na Olímpiada de 2008 em Pequim, quando Phelps disputava a final dos 200 metros borboleta.

Ao pular na piscina seus óculos encheram de água e após os primeiros 25 metros Phelps não enxergava mais nada. No entanto, devido a seus treinamentos, o atleta americano sabia quantas braçadas precisava para concluir a prova, se recuperando e vencendo a prova com 1min52s03, seis centésimos mais rápido que o recorde mundial, que pertencia ao próprio Phelps. Além do recorde, Michael se tornou o maior atleta da história dos jogos olímpicos.

A parceria entre os dois durou 20 anos e se encerrou com chave de ouro na Olímpiada de 2016, no Rio de Janeiro. No Brasil, Phelps e Bob conquistaram seis medalhas, sendo cinco de ouro e encerraram a parceria com o anúncio da aposentadoria de Phelps. A dupla conquistou 28 medalhas olímpicas, sendo 23 de ouro, três de prata e duas de bronze.

Bob levou sua experiência de mais de 20 anos e 46 medalhas olímpicas para o programa de natação para homens e mulheres da Universidade do Estado de Arizona. Em sua carreira Bowman recebeu cinco vezes o prêmio de Atleta do Ano da American Swimming Coaches Association, foi eleito seis vezes o Treinador do Ano da Seleção Americana de Natação e selecionado quatro vezes como Melhor Treinador do Ano para receber o Golden Goggle Award da USA Swimming Foundation. Em 2010 entrou para o Hall da Fama da American Swimming Coaches Association e em 2016 para o Hall da Fama internacional da Natação.

Após tantas conquistas, Bob foi questionado sobre o que o motivava a seguir na carreira de treinador. De forma tranquila ele respondeu: “Ser um técnico é ensinar. E eu amo ajudar jovens a atingir seus objetivos”.

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